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Acreditar que são todos iguais pode sair caro.

Foto do escritor: Carla Mota
Carla Mota
23 de abr.
4 min de leitura

Há uma ideia que aparece muitas vezes, às vezes dita diretamente, outras vezes só implícita:“Consultores imobiliários são todos iguais.”


Percebo perfeitamente de onde vem essa frase.


Durante anos, a imagem da profissão foi construída com base em más experiências, promessas não cumpridas, falta de transparência e histórias que se passam de boca em boca. Basta um ou dois episódios negativos para criar uma etiqueta que depois se cola a todos.


Eu não falo disto de fora. Eu própria já fui enganada no imobiliário/construção. Fiquei sem casa e sem dinheiro. Sei exatamente o que é desconfiar de tudo e de todos, olhar para esta área e pensar: “ninguém aqui está realmente do lado do cliente”.


Foi, em grande parte, essa experiência que me trouxe até esta profissão: garantir que, pelo menos os meus clientes, entendem o que estão a fazer, o que estão a assinar e não são deixados sozinhos num processo tão sensível.É também por isso que escolho trabalhar com pessoas e estruturas que partilham estes princípios e esta forma de trabalhar no dia a dia.


O problema é quando essa etiqueta, “são todos iguais”, passa a ser usada como critério de decisão.Nesse momento, deixa de se avaliar uma pessoa ou um serviço concreto e passa-se a assumir que o resultado vai ser sempre o mesmo, independentemente de quem estiver do outro lado.


E isso raramente corresponde à realidade.


Em praticamente todas as áreas há diferenças claras entre profissionais.Há quem trabalhe com método e responsabilidade. Há quem funcione sem estrutura. Há quem acompanhe de perto. Há quem desapareça no processo.


No imobiliário não é diferente.


Mas quando tudo é colocado no mesmo saco, essa distinção deixa de existir. E isso cria um efeito curioso: não protege o proprietário, limita as opções.

Imagine este cenário.


Duas casas semelhantes entram no mercado ao mesmo tempo, na mesma zona.Uma é vendida diretamente pelo proprietário.A outra é acompanhada por alguém que sabe exatamente como posicionar, comunicar e gerir o processo.


À partida, podem parecer equivalentes. Na prática, raramente são.


Não porque uma tenha obrigatoriamente de ser “melhor” do que a outra, mas porque o processo por trás de cada uma tende a ser diferente: a forma de apresentar o imóvel, a filtragem de contactos, a leitura do interesse real, a condução das negociações.

Tudo isso influencia o resultado, mesmo quando não é visível à primeira vista.


Agora, a questão deixa de ser “confio ou não confio na profissão?” e passa a ser outra: “Quem é que vai, na prática, conduzir este processo e como é que o vai fazer?”


Ao assumir que todos os profissionais são iguais, não se está apenas a evitar os menos competentes. Está-se também, sem querer, a excluir a possibilidade de trabalhar com alguém que poderia fazer a diferença no resultado final, não só no valor, mas no tempo, na tranquilidade e na forma como o processo é conduzido.


E essa diferença nem sempre é óbvia no início. Muitas vezes só se torna clara quando o processo já está em andamento: quando começam a surgir decisões, dúvidas, propostas, documentos para assinar, momentos em que é preciso mais do que boa vontade.


É precisamente aí que as generalizações deixam de ajudar. Porque não respondem ao que realmente importa: como é que este processo vai ser conduzido, na prática, para este imóvel, por esta pessoa específica?


A ideia de que “são todos iguais” simplifica a decisão. Mas também simplifica demasiado a realidade.


E quando se simplifica demais um processo que envolve dinheiro, tempo e margem de erro, há sempre algo que fica de fora.


Não estou a dizer para começar a confiar à partida. Depois do que vivi, eu própria não o faço.


O que estou a sugerir é outra coisa: antes de fechar completamente a porta, talvez faça sentido avaliar melhor quem está do outro lado.


Se, em algum momento, fizer sentido falar com alguém desta área, mesmo mantendo toda a desconfiança, pode fazer três coisas simples:


Reparar em como a pessoa fala de dinheiro: fala apenas da comissão dela ou também de quanto é que o proprietário vai efetivamente receber no fim.


Pedir exemplos concretos de casos parecidos com o seu: o que foi prometido, o que aconteceu, quanto tempo demorou, que problemas surgiram e como foram tratados.

Ver se existe pressão para decidir rápido ou se há espaço para pensar, perguntar, ler e decidir ao seu ritmo.


A confiança não se exige. Constrói-se.


Se, em algum momento, quiser perceber como trabalho e tirar as suas próprias conclusões, sem compromisso, o passo seguinte é simples: fazer perguntas difíceis, pedir exemplos reais e, a partir daí, decidir se faz sentido, para si, continuar sozinho ou ter alguém ao seu lado neste processo.


A porta é sua. A decisão também. O meu papel é só garantir que, se a quiser abrir, encontra do outro lado alguém que não esqueceu o que é estar no seu lugar.


Deixo disponível uma apresentação sobre este tema. Se fizer sentido, pode abrir e ver com calma.




 
 
 

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