A Magia dos Elfos: Criar Memórias Felizes

Em 2023, descobri a tradição dos Elfos, conhecida como Elf on the Shelf. Não é uma tradição portuguesa, mas diverte imenso e encanta as crianças. E eu, que ainda tenho a minha criança interior bem viva, achei que fazer esta brincadeira seria uma experiência fantástica para os meus filhos e para nós.
Na altura, vivíamos um momento feliz, mas também desafiante. Alguns anos antes, eu e o meu marido tínhamos sido enganados numa construção e acabámos sem casa, sem terreno e sem dinheiro. Por isso, quando em 2023 finalmente conseguimos uma casa, foi uma vitória enorme. No entanto, estava a 70 quilómetros da nossa família e das nossas referências, e estávamos a começar do zero num sítio que não conhecíamos, só nós os quatro.
Foi então que decidi aderir ao Elf on the Shelf. O meu entusiasmo foi tanto que publiquei num grupo de mães e a resposta foi incrível, pelo que acabei por criar um grupo específico para os elfos. Todos os anos o grupo cresce e, neste terceiro Natal, já conta com quase mil membros.
Como gosto de cuidar de todos os detalhes, fui criando cartas do Pai Natal, cartas dos elfos a anunciar a sua chegada, mensagens de despedida e até cartas especiais para crianças que já estão crescidas e provavelmente não irão continuar a brincar no próximo ano. Este ano foram enviadas 112 cartas, destinadas a 72 crianças, incluindo uma turma inteira cuja professora decidiu levar a brincadeira para a escola.
Entre todas as situações que me tocaram, uma criança autista destacou-se, pois a brincadeira tem-lhe trazido muita alegria. Saber que este voluntariado tem um efeito tão positivo deixa-me profundamente emocionada.
Para mim, é essencial que as crianças tenham boas recordações, memórias felizes e emoções positivas. Quando, daqui a alguns anos, descobrirem a verdade sobre o Pai Natal, talvez se surpreendam, mas isso não diminui o valor dos momentos vividos. A magia existe, mesmo que a figura física não seja real. O Pai Natal e os elfos existem no imaginário, na alegria e na experiência das crianças. Não estamos a mentir; estamos a criar memórias inesquecíveis.
O mais importante é fazer as crianças felizes. O que fica gravado não são os brinquedos, mas os momentos. A minha filha, que agora tem três anos, lembra-se das brincadeiras dos elfos, das pequenas travessuras e surpresas, e não dos presentes. O meu filho, prestes a fazer nove anos, sente o mesmo. E é exatamente isso que torna tudo tão especial.
Ver as carinhas das crianças cheias de felicidade não tem preço. Ver o quanto os pais ficaram agradecidos também não tem preço. Por isso, continuo a tradição, faço este trabalho de coração e continuarei nos próximos anos.
O grupo chama-se Elfos Desofendidos e está aberto a todos que queiram partilhar esta diversão. No fim, o mais importante é rir, brincar e criar memórias que durarão para sempre.
Porque no fundo, mais do que cartas, presentes ou tradições, o que realmente importa é a felicidade partilhada, os sorrisos espontâneos e as memórias que ficarão para sempre no coração das crianças e de quem as acompanha.



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