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A comissão não é o problema. É o que está (ou não está) incluído nela.

Foto do escritor: Carla Mota
Carla Mota
29 de abr.
2 min de leitura


Há uma reação quase automática quando se fala em vender um imóvel:“5% mais IVA é muito dinheiro.”


E é.


Deve pesar.


Mas há uma pergunta que raramente é feita logo no início:

o que está realmente incluído nesse valor?


Porque olhar para a comissão apenas como um custo, sem perceber o que ela representa, pode levar a uma decisão incompleta.


Vender um imóvel não é só colocá-lo no mercado.


É um processo com várias fases, muitas delas invisíveis para quem está de fora.

Antes de existir qualquer proposta, há trabalho que precisa de ser feito.


Análise de mercado.

Definição de estratégia.

Preparação do imóvel.

Posicionamento.

Exposição.


Nada disto acontece por acaso.


Depois começam a surgir contactos.


E aqui entra outra parte do processo que raramente é valorizada.


Filtrar quem tem real interesse.

Perceber capacidade financeira.

Evitar visitas sem intenção.

Gerir expectativas.


Porque nem todos os contactos são oportunidades.


E nem todas as propostas que parecem boas… o são.


Há condições.

Há prazos.

Há riscos que nem sempre são evidentes à primeira vista.


É precisamente aqui que muitas decisões acabam por ter impacto no resultado final.


E é também aqui que entra a negociação.


Não apenas o valor.

Mas as condições.

Os timings.

A segurança de toda a operação.


Tudo isto faz parte do processo.

E tudo isto influencia o desfecho.


Há ainda uma parte que quase nunca é considerada quando se pensa na comissão:

a gestão.


Documentação.

Comunicação entre partes.

Acompanhamento de visitas.

Resolução de imprevistos.

Coordenação até à escritura.


Quando tudo corre bem, parece simples.


Mas é exatamente porque alguém está a garantir que corre bem.


No fundo, a comissão não é apenas uma percentagem sobre um valor.

É o conjunto de tudo o que acontece antes, durante e depois da venda.


E é isso que muitas vezes não está visível quando a decisão é tomada.


No final, a questão deixa de ser apenas “quanto custa”.

Passa a ser:


o que está incluído… e o que fica de fora quando não está.


Porque há custos que são claros.


E há outros que só aparecem quando já fazem parte do processo.


Há ainda um ponto que muitas vezes não é considerado nesta análise.


Em determinadas situações, a comissão pode ser considerada no cálculo das mais-valias, reduzindo o valor sobre o qual incide o imposto.


Ou seja, parte desse custo pode ter impacto fiscal.


Não é um detalhe.

Mas também não é automático, e deve sempre ser validado com um contabilista ou junto da Autoridade Tributária.


Se, em algum momento, quiser perceber como isto se aplica ao seu caso específico, pode fazer uma coisa simples: colocar perguntas, analisar cenários e, a partir daí, decidir com mais informação.


 
 
 

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